Uma corola
Em algum lugar
esplende uma corola
de cor vermelho-queimado metálica
não está em nenhum jardim
em nenhum jarro
da sala
ou na janela
não cheira
não atrai abelhas
não murchará
apenas fulge
em alguma parte alguma
da vida
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quinta-feira, 1 de março de 2012
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Ferreira Gullar
Meu povo, meu poema
Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova
No povo meu poema foi nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta
Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova
No povo meu poema foi nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta
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