Peliano costuma brincar que a poes-ia e foram os poetas que a trouxeram de volta! Uma de suas invenções mais ricas é conseguir por em palavras lirismos maravilhosos, aqueles que percebemos de repente e temos a impressão que não vamos conseguir exprimi-los. Exemplos: de Manoel de Barros -"Deixamos Bernardo de manhã em sua sepultura. De tarde o deserto já estava em nós"; de Ernesto Sabato - "Sólo quienes sean capaces de encarnar la utopía serán aptos para ... recuperar cuanto de humanidad hayamos perdido"; de Thiago de Mello - "Faz escuro mas eu canto"; de Helen Keller - "Nunca se deve engatinhar quando o impulso é voar"; de Millôr Fernandes - "Sim, do mundo nada se leva. Mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus". É como teria exclamado Michelangelo que não fora ele quem esculpiu Davi, pois este já estava pronto dentro da pedra, Michelangelo apenas tirara-o de lá. Então, para Peliano, o lirismo é quando nos abraça o mundo fora de nós, cochicha seu mistério em nossos ouvidos e o pegamos com as mãos da poesia em seus muitos dedos de expressão.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Deus e o diabo




Deus e o diabo

se Deus tudo criou e vai criar
Amosdeu, o diabo, é sua cria
basta trocar o "s" de lugar
para Amo Deus seguir a liturgia

um é o outro então no ser e no estar
em todas direções por todo dia
no pó, no fogo, no ar e no mar
o bem e o mal na mesma harmonia

pode ser o pecado assim virtude
a bondade virar escravidão
irmãos, o que ilude e o que não ilude

resta drenar em cada coração
entre Deus e o diabo a atitude
que os fará dentro em nós a comunhão


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