Peliano costuma brincar que a poes-ia e foram os poetas que a trouxeram de volta! Uma de suas invenções mais ricas é conseguir por em palavras lirismos maravilhosos, aqueles que percebemos de repente e temos a impressão que não vamos conseguir exprimi-los. Exemplos: de Manoel de Barros -"Deixamos Bernardo de manhã em sua sepultura. De tarde o deserto já estava em nós"; de Ernesto Sabato - "Sólo quienes sean capaces de encarnar la utopía serán aptos para ... recuperar cuanto de humanidad hayamos perdido"; de Thiago de Mello - "Faz escuro mas eu canto"; de Helen Keller - "Nunca se deve engatinhar quando o impulso é voar"; de Millôr Fernandes - "Sim, do mundo nada se leva. Mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus". É como teria exclamado Michelangelo que não fora ele quem esculpiu Davi, pois este já estava pronto dentro da pedra, Michelangelo apenas tirara-o de lá. Então, para Peliano, o lirismo é quando nos abraça o mundo fora de nós, cochicha seu mistério em nossos ouvidos e o pegamos com as mãos da poesia em seus muitos dedos de expressão.

domingo, 7 de junho de 2015

ao Papa Francisco
                                            José Carlos Peliano 
não falo em fé, eu sei é do universo
afinal nele estou porque nasci
como as estrelas, os bichos, o verso
seres que não vi e os bem-te-vi
sigo São Tomé, ver e ser diverso
achar de não sei onde por aqui
tudo o mais é incerto e controverso
alma, milagre, vida após, zumbi
nos homens creio sim, com paciência
superar egoísmos eu arrisco
desigualdades não, mais convivência
qualquer um é capaz, mesmo com risco
religião então vale e ciência
desde os pobres, fiéis, ateus, Francisco

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